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Algumas Modalidades Realizadas no Brasil

MODALIDADES ESPORTIVAS

O Esporte Adaptado

    A realidade de grande parte das pessoas com deficiencias no Brasil e no mundo revela poucas oportunidades para engajamento em atividades esportivas, seja com objetivo de movimentar-se, jogar ou praticar um esporte ou atividade física regular.

    A prática de atividade física e/ou esportiva por pessoas com algum tipo de deficiência, sendo esta visual, auditiva, mental ou física, pode proporcionar dentre todos os benefícios da prática regular de atividade física que são mundialmente conhecidos, a oportunidade de testar seus limites e potencialidades, prevenir as enfermidades secundárias à sua deficiência e promover a integração social do indivíduo.

    As atividades físicas, esportivas ou de lazer propostas as pessoas com deficiências físicas como as pessoas  de seqüelas de poliomielite, lesados medulares, lesados cerebrais, amputados, dentre outros, possui valores terapêuticos evidenciado benefícios tanto na esfera física quanto psíquica.

    Quanto ao físico, pode-se ressaltar ganhos de agilidade no manejo da cadeira de rodas, de equilíbrio dinâmico ou estático, de força muscular, de coordenação, coordenação motora, dissociação de cinturas, de resistência física; enfim, o favorecimento de sua readaptação ou adaptação física global (Lianza, 1985; Rosadas, 1989 e Souza, 1994). Na esfera psíquica, podemos observar ganhos variados, como a melhora da auto-estima, integração social, redução da agressividade, dentre outros benefícios ( Alencar, 1986; Souza, 1994; Give it a go, 2001).

    A escolha de uma modalidade esportiva pode depender em grande parte das oportunidades que são oferecidas as pessoas com deficiência física, da sua condição sócio-econômica, das suas limitações e potencialidades, da suas preferências esportivas, facilidade nos meios de locomoção e transporte, de materiais e locais adequados, do estímulo e respaldo familiar, de profissionais preparados para atende-los, dentre outros fatores.

    Diversos autores como Guttman (1976b), Seaman (1982), Lianza (1985), Sherrill (1986), Rosadas (1989), Souza (1994), Schutz (1994) e Give it a go (2001), e ressaltam que os objetivos estabelecidos para as atividades físicas ou esportivas para portadores deficiência, seja esta física mental, auditiva ou individual devem considerar e respeitar as limitações e potencialidades individuais do aluno, adequando as atividades propostas a estes fatores, bem como englobar objetivos, dentre outros:

Melhoria e desenvolvimento de auto-estima, autovalorização e auto-imagem;

o estímulo à independência e autonomia;

a socialização com outros grupos;

a experiência com suas possibilidades, potencialidades e limitações;

a vivência de situações de sucesso e superação de situações de frustração;

a melhoria das condições organo-funcional (aparelhos circulatório, respiratório, digestivo, reprodutor e excretor);

melhoria na força e resistência muscular global;

ganho de velocidade;

aprimoramento da coordenação motora global e ritmo;

melhora no equilíbrio estático e dinâmico;

a possibilidade de acesso à prática do esporte como lazer, reabilitação e competição;

prevenção de deficiências secundárias;

promover e encorajar o movimento;

motivação para atividades futuras;

manutenção e promoção da saúde e condição física

desenvolvimento de habilidades motoras e funcionais para melhor realização das atividades de vida diária

desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas.

    Os jogos organizados sobre cadeira de rodas forma conhecidos após a Segunda Guerra Mundial, onde esta tragédia na história da humanidade fez com que muitos dos soldados que combateram nas frentes de batalha voltassem aos seus países com seqüelas permanentes. Porem este evento, terrível, proporcional ao de pessoas com deficiência, melhores condições de vida, pois os deficientes pós-guerra eram heróis e tinham o respeito da população por isto, bem como uma preocupação governamental (Guttman, 1981, Adms e col., 1985; Alencar, 1986 Cidade e Freitas, 1999).

    O pós-guerra, de acordo com Assumpção (2002), criou uma situação emergencial, onde a construção de centros de reabilitação e treinamento vocacional, em todo o mundo foi extremamente necessária. Os programas de reabilitação destes diferentes centros perceberam que os esportes eram um importante auxiliar na reabilitação dos veteranos de guerra que adquiriram algum tipo de deficiência.

    As atividades desportivas foram introduzidas em programas de reabilitação pelo Dr. Ludwig Guttmann no Centro de Reabilitação de Stoke Mandeville no ano de 1944, como parte essencial no tratamento médico de lesados medulares, auxiliando na restauração e manutenção da atividade mental e na autoconfiança (Guttmann, 1981).

    Concordando com o Dr. Guttmann, Sarrias (1976), ressalta que o esporte pode ser um agente fisioterapêutico atuando eficazmente na reabilitação social e psicologia da pessoas com deficiência, não devendo ser considerada apenas como uma atividade recreativa.

    Os jogos paraolímpicos aconteceram oficialmente em 1960 em Roma, sendo instituída pela Organização Internacional de Esportes a realização dos Jogos Paraolímpicos após a realização das Olimpíadas (Alencar, 1986).

    Souza (1994), enfatiza que o esporte adaptado deve ser considerado como uma alternativa lúdica e mais prazerosa, sendo este parte do processo de reabilitação das pessoas portadoras de deficiências físicas.

    A ACMS (1997), relata que um programa de atividades físicas para os portadores de deficiência física devem observar a princípio se a adaptação dos esportes ou atividades mantendo os mesmos objetivos e vantagens da atividade e dos esportes convencionais, ou seja, aumentar a resistência cardio-respiratória, a força, a resistência muscular, a flexibilidade, etc. Posteriormente, observar se esta atividade possui um caráter terapêutico, auxiliando efetivamente no processo de reabilitação destas pessoas.

    Um outro ponto a considerar na elaboração de atividades para os portadores de necessidades educativas especiais, em destaque aqui o portador de deficiência física, é a necessidade de adaptação dos materiais e equipamento, bem como a adaptação do local onde esta atividade será realizada.

    A redefinição dos objetivos do jogo, do esporte ou da atividade se faz necessário, para melhor adequar estes objetivos às necessidades do processo de reabilitação. Assim como reduzir ou aumentar o tempo de duração das atividades, mas sempre com a preocupação de manter os objetivos iniciais atingíveis.

    A realização de atividades físicas, esportivas e de lazer com deficientes, tem que respeitar todas as normas de segurança, evitando novos acidentes, deve-se estar atento a todos os tipos de movimentos a serem realizados, auxiliar o deficiente sempre que necessário, e estimular sempre o desenvolvimento da sua potencialidade.

 

Modalidades esportivas para deficientes físicos são pautadas na classificação funcional.

Classificação Funcional dos Esportes

Conceitualmente a classificação para a prática desportiva, para pessoas portadoras de deficiência, constitui-se em um fator de nivelamento entre os aspectos da capacidade física e competitiva, colocando as deficiências semelhantes em um grupo determinado. Esse fator significa, para atletas deficientes físicos, igualar a competição entre indivíduos com várias seqüelas de deficiência, onde o sistema de classificação eficiente é o pré-requisito para uma competição mais equiparada (STROHKENDL 1995). GUTTMANN (1976:35) descreve o objetivo da classificação em esporte de cadeira de rodas como: "Assegurar a competição justa e eliminar as possibilidades de injustiça entre participantes de classes semelhantes e dar prioridade para as mais severas disabilidades."

Os princípios que governam o mundo dos esportes, para atletas deficientes, têm função de extrema importância na classificação das habilidades ou inabilidades, para assegurar a igualdade na competição (SHERRIL apud VARELA 1991). Para cada modalidade, é feita uma classificação funcional, de acordo com a utilização do resíduo muscular do atleta, bem como da técnica empregada na modalidade.

Aqui estão algumas das modalidades esportivas, praticadas pelos deficientes físicos:

Arco e flecha: tem sido praticada desde 1948. Atletas, em pé e sentados em cadeira de rodas, participam em competições com sistemas de resultados semelhantes a modalidade olímpica.

Atletismo: vem sendo constantemente revisto para dar melhores condições técnicas, para o desenvolvimento desta modalidade. As provas incluídas são: provas de pistas, campo, pentatlo e maratona. As provas são divididas por classes que competem entre si.

Basquetebol sobre rodas: é jogado por paraplégicos, amputados, e atletas com seqüelas de poliomielite. Os regulamentos são os mesmos do basquetebol convencional com pequenas adaptações.

Bocha: este antigo jogo foi adaptado com sucesso para pessoas com paralisia cerebral. A regra do jogo consiste em lançar objetivamente as bolas o mais perto possível da bola branca.

Ciclismo: três classes de atletas participam do ciclismo: paralisado cerebral, cegos com guias e amputados.

Equitação: os competidores com deficiência física, competem apenas na categoria de habilidades .

Esgrima: é praticado por atletas em cadeira de rodas, amputados e paralisados cerebrais. Todos os atletas competem presos ao solo mas tendo os movimentos livres para tocar o corpo do adversário. O evento programado inclui espada, sabre e florete.

Lawn Bowls: é similar à bocha e é aberto à participação de todas as pessoas deficientes físicas.

Halterofilismo: é aberto a atletas do sexo masculino, deficientes físicos e competidores com paralisia cerebral. As categorias utilizadas são as mesmas para as pessoas não deficientes.

Tiro ao alvo: é aberto a atletas deficientes físicos nas categorias sentado e em pé, para homens e mulheres. As equipes podem ser mistas.

Futebol: apenas atletas com paralisia cerebral competem. As regras sofrem algumas modificações, entre elas o número de jogadores, largura do gol e da marca do pênalti.

Natação: divide-se em dois grupos de participantes: um grupo de competidores com deficiência visual e outro grupo com deficiência física. As regras não têm adaptações.

Tênis de mesa: é idêntico ao tênis de mesa convencional. É jogado por deficientes físicos, nas categorias masculina e feminina, por equipe e individual. Joga-se em pé ou em cadeira de rodas.

Tênis: atletas em cadeiras de rodas jogam como o tênis tradicional, apenas com uma adaptação: de que a bola pode quicar duas vezes, a primeira dentro da quadra. As categorias são: masculino e feminino, individual e em duplas.

Voleibol: é praticado por atletas amputados e lesados medulares em duas categorias: sentados e em pé.

Racquetball: utilizado por atletas com paralisia cerebral. É similar ao tênis de mesa.

Iatismo: todos os atletas deficientes podem participar, apenas com modificações no equipamento e tripulação.

As modalidades Racqueball e Iatismo que figuraram como demonstração em Atlanta, irão figurar entre as modalidades tradicionalmente disputadas, nas Paraolimpíadas de Sidney em 2000.

DESPORTO E DEFICIÊNCIA VISUAL

Objetivos do Desporto para Pessoa Portadora de Deficiência Visual

Os objetivos que devem nortear a prática pedagógica dos esportes com a pessoa portadora de deficiência visual, precisam estar organizados a partir de limitações e potencialidades do indivíduo, bem como as modalidades que serão desenvolvidas, devendo englobar:

a diminuição da limitação psicomotora geralmente apresentada; a utilização de todo potencial sensorial e psicomotor; a melhoria das condições organo-funcionais: aparelho circulatório, respiratório, digestivo, reprodutor e excretor; a possibilitar de acesso à prática do esporte como lazer, reabilitação e competição; a prevenção de doenças secundárias; o estímulo à autonomia e à independência

Modalidades Esportiva para Deficientes Visuais

As modalidades esportivas para deficientes visuais são pautadas na classificação esportiva apresentada a seguir:

B1 - Desde inexistência de percepção luminosa em ambos os olhos, até a percepção luminosa, com incapacidade para distinguir formas em qualquer distância e em qualquer direção.

B2 - Desde a capacidade para reconhecer a forma de uma mão até agudeza visual de 2/60 ou um campo visual inferior a 5 graus.

B3 - Desde uma agudeza superior a 2/60 até 6/60 e um campo visual de mais de 5 graus e menor de 20 graus.

Todas as classificações deverão considerar o melhor olho com correção possível.

Golball: é jogado por atletas com deficiência visual. O objetivo é arremessar a bola sonora com as mãos no gol do adversário. Cada time joga com três jogadores classes B1, B2 ou B3 e todos os atletas usam vendas.

Judô: é praticado por deficientes visuais do sexo masculino. A principal adaptação feita para esta modalidade é a diferença de textura do tatame que indica os limites da área de competição.

Atletismo: A grande maioria das provas são realizadas pelos deficientes visuais, com exceção das provas de barreiras. Participam todas as categorias (B1, B2, B3). As provas de 100m são corridas individualmente com um guia na marca dos 50m e outro na marca dos 100m. Os guias deverão chamar os atletas para que eles se posicionem e corram em linha reta. Normalmente atletas B1 e B2 correm as provas acima de 100m com guias, que poderão apenas acompanhá-lo e nunca "puxá-los".

Futebol de salão: As equipes de atletas são divididas em: cegos totais (B1), onde o goleiro pode ser B2; e categorias B2 e B3. Na categoria B1, todos os atletas deverão estar vendados. As regras são idênticas ao esporte praticado por não deficientes.

Natação: Participam todas as categorias. A principal adaptação é feita na virada, onde o técnico poderá avisar ao atleta da proximidade da borda da piscina, através de um toque com um cabo de madeira ou outro material com ponta de espuma. Os nadadores B1 deverão nadar com óculos tipo "blackout".

DESPORTO E DEFICIÊNCIA MENTAL

O esporte direcionado às pessoas portadoras de deficiência mental surgiu quando Eunice Kennedy Shriver convidou um grupo de crianças com deficiência mental para participarem de um churrasco e de jogos externos em sua casa. Foi quando percebeu que seus convidados apresentavam um potencial maior do que o atribuído a eles. Assim tiveram início as Olimpíadas Especiais, em 1962, nos Estados Unidos, através da FUNDAÇÃO KENNEDY, um programa nacional de atividades esportivas que oferece a oportunidade de reunir crianças, praticar esportes e treinar para competições anuais em muitas modalidades. Entretanto já existia na Europa alguma atividade esportiva para pessoas portadoras de deficiência mental, com caráter demonstrativo (PUESCHEL, 1995; PETTENGILL, 1997).

O programa SPECIAL OLYMPICS INTERNATIONAL da FUNDAÇÃO KENNEDY, foi implantado no Brasil em dezembro de 1990. "Este programa já está implantado em mais de 100 países e trata somente de desporto, com o objetivo de colaborar com a tarefa de integrar todas as pessoas com deficiência mental à sociedade, em condições que lhes permitam serem aceitos e respeitados, proporcionando-lhes a oportunidade de se tornarem úteis e produtivos." (PETTENGILL, 1997, p. 300). Trata-se de um programa com características próprias e desvinculado da Federação Nacional das APAE’s (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

No Brasil, o esporte para portadores de deficiência mental teve seu início em 1973, com a Federação Nacional das APAE’s. Criou-se a Olimpíada Nacional das APAE’s realizada a cada 2 anos e que, em suas primeiras edições, além dos portadores de deficiência mental contou também com a participação de portadores de deficiência visual e auditiva. Somente após a 5ª Olimpíada , em 1981, a competição passou a ser praticada somente por atletas deficientes mentais. Foram criados as Associações Regionais de Deficientes Mentais (ARDEM) que levaram a criação da ABDEM - Associação Brasileira de Desporto de Deficientes Mentais, reconhecida pelo Conselho Nacional de Desporto mediante a deliberação 04/85 (PETTENGILL, 1997).

Em 01 de fevereiro de 1986, na Holanda foi criada a Federação Internacional de Desporto para portadores de deficiência mental (INAS-FMH) filiada ao Comitê Olímpico Internacional (IPC). De 13 a 23 de setembro de 1992, em Madrid, Espanha, aconteceu a primeira paraolimpíada oficial para portadores de deficiência mental, os "I Juegos Paraolímpicos para Discapacitados Psíquicos" Participaram 2.000 atletas de 70 países em 5 modalidades: tênis de mesa, basquetebol, futebol de salão, natação e atletismo (INSERSO, 1991).

DESPORTO E DEFICIÊNCIA AUDITIVA

A prática do esporte para pessoas surdas começou em 1888 na Alemanha, com um grupo de surdos que resolveu fundar um clube desportivo composto unicamente por eles (PEREZ, 1994). A Holanda, Suécia, França, Finlândia, Dinamarca e Itália fundaram em seguida clubes semelhantes. (SANTOS, 1995). Segundo VARELA (1991), o Comitê Internacional dês Sports dês Sordos (CISS) é a associação mais antiga no desporto para deficientes, tendo sido fundada em 15 de agosto de 1924, em Paris, onde aconteceram os primeiros Jogos Internacionais.

No Brasil, o desporto para portadores de deficiência auditiva teve seu início com a realização da "I Olimpíada Nacional de Surdos-Mudos", em 1957, pela iniciativa do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Na ocasião, participaram atletas das Associações de Surdos do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e as modalidades disputadas foram: futebol, atletismo, voleibol e ginástica rítmica. O INES promoveu as Olimpíadas de 1957, 1958, 1959 e 1960. A Confederação Brasileira de Desportos para Surdos – CBDS foi criada em 17 de novembro de 1984 (SANTOS, 1995), por meio da Deliberação 07/82 do Conselho Nacional de Desportos. A CBDS é filiada à Confederação Sul-Americana Desportiva de Surdos – CONSUDES e ao CISS (PETTENGILL, 1997). Os jogos Mundiais de Surdos acontecem a cada 4 anos, em todas as modalidades. Para a participação em eventos internacionais, é necessário que a surdez seja de pelo menos, 55 decibéis, o que corresponde a uma perda moderada da audição (PEREZ, 1994; SANTOS, 1995; PENTTEGILL, 1997).

Fonte: Patrícia Freitas
Ruth Eugênia Cidade

 
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